domingo, 14 de fevereiro de 2010

Quem sabe, um dia!

"O maior desafio para qualquer pensador é enunciar o problema de tal modo que possa permitir uma solução." (Bertrand Russell)
Tudo começou no topo da escada.  A subida para a loja de conveniência não teria o mesmo motivo após a aquela visualização.
Ela estava sentada numa cadeira branca, por trás de um balcão, olhando fixamente para minha direção.   – Deus, como é linda! Sussurrei aos meus pensamentos. Desejei que naquele momento ela estivesse olhando para mim. E parecia que era, até então. Mas na verdade seu olhar estava longe. Como quando nos perdemos no tempo, divagando em pensamentos...
Continuei a caminhada, um tanto desnorteado, e vez por outra olhando por meio das prateleiras, seus movimentos, suas gesticulações exibidas aos clientes. Passava com freqüência a mão direita no cabelo, que insistia em cair em sua face. Um cabelo longo e preto, reluzente à luz fluorescente do ambiente. Parecia dizer-me “Vê como sou bela!”.
Nem sei mais por que fui parar ali. Perdi minha meta, tão repetida mentalmente até a subida naquela escada. Desconcentrei-me. E então, com o foco já disperso, pensei numa aproximação.
Não irei falar do que ela vendia. Fica a critério da sua imaginação. Posto  que  para mim é o que menos importa.
Então, comprei lá na loja qualquer coisa, e já indo embora, ela estava próxima a porta de entrada e saída da loja, resolvi parar em sua frente. Fingindo estar interessado em suas vendas.
Ela olhou para mim, e disse o “Pois não!” mais doce e encantador que eu  pudera ouvir. 
 - O que o senhor deseja?  Perguntou em seguida, vendo meu silêncio abestalhado.
Não me deu vontade alguma de perguntar sobre o que ela vendia. Então acabei por perguntar:
- Posso ter fazer duas perguntas?
- Pode? No que posso te ajudar? Respondeu ela.
- Quero saber teu nome primeiro? E se você vai estar aqui no mesmo lugar amanhã?
Ela olhou para mim, com um leve sorriso simpático e olhos cativantes, e disse:
- Nossa! Só isso... pensei querer saber sobre meus produtos?
Eu logo emendei:
- Só isso me basta para o que procuro!
Ela então confessou:
 - Chamo-me “Estrela” e sim estarei aqui amanhã neste mesmo lugar. Até o fim do mês, quando terei que mudar para outra loja.
Sabendo então seu nome, e tendo confirmado sua presença no dia seguinte. Despedi-me dela, pedindo desculpas por ter tomando seu tempo e não haver sequer solicitado alguma informação do que ela vendia. Seu sorriso continuou simpático até a minha partida.
O que eu fiz no dia seguinte? Fui a uma florista próxima ao local da loja e encomendei uma rosa. Mas não era uma rosa  de cor vermelha, era uma de tom rosa com branco. Achei mais apropriado.
A florista tinha, junto as flores, um conjunto de cartões, e num destes encontrei uma frase bem interessante, a qual foi minha escolha:
"A vida está cheia de desafios que, se aproveitados de forma criativa, transformam-se em oportunidades."
(Maxwell Maltz)
Junto ao cartão foi um numero de telefone. E um pedido por escrito: “Apenas uma chance para poder conhecê-la melhor...”
Pedi a florista que entregasse a encomenda no dia seguinte bem perto do final do expediente, para não atrapalhar o serviço. E assim ela fez.
Estava eu do outro lado da rua, olhando atentamente o momento em que Estrela receberia a rosa. A florista entrou na loja, procurou o balcão do qual fiz referência, e chamou-a pelo nome.
Rapidamente formou-se uma roda de quatro pessoas, todas trabalhavam com estrela. E ao verem a mesma receber o “mimo”,  protificaram-se a investigar sobre assunto. Sorrisos e falas "conjecturaram" por alguns instantes.
De longe, percebi seu lindo rosto sorrindo, admirando com delicadeza a rosa. Em seguida abriu o cartão, leu, e virou-se de costas, partindo para dentro da loja e para fora do meu campo de visão.
Até hoje espero seu telefonema! Mas ainda que ele não aconteça, valeu a intenção da rosa. (risos) 




2 comentários:

Claudine Ribeiro G. Netto disse...

Amigo Cristian que linda história. Será que é verídica? Espero que se for verdade esta linda história, ela telefone. Acho que estou ficando uma romântica incurável.

Abração.

Serenissima disse...

Quem disse que o romantismo acabou, hein ;)
Mesmo não sendo verídica (como romântica incurável, espero que seja!), toda a história é linda... até a espera pelo telefona deixa uma esperança no ar ;))

Abraço

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